Já está sendo aplicado no Brasil um novo método para avaliar a potencialidade de fertilidade do espermatozóide. O Teste de Fragmentação do DNA Espermático (TFDE), que verifica as alterações (fragmentação) no DNA contidas no espermatozóide de uma amostra seminal, é oferecido pela Clínica e Centro de Pesquisa em Reprodução Humana Roger Abdelmassih, em São Paulo.
O teste já existe nos Estados Unidos há mais de 20 anos. O procedimento é indicado em casos de infertilidade sem causa aparente e persistente; de pacientes acima de 50 anos; de homens que tiveram exposição a ambientes tóxicos por muito tempo ou que fizeram tratamentos à base de quimioterapia ou radioterapia. O fator masculino é responsável por cerca de 40% dos casos de infertilidade conjugal. O exame é rápido e requer somente uma amostra de sêmen fresco ou conservado em gelo seco.
No exame, uma amostra de sêmen fresco ou conservado em gelo fresco recebe a adição de corante acridina orange. Quando os dois componentes se misturam, os espermatozóides normais adquirem uma cor verde fluorescente, enquanto os anormais, com muita fragmentação do DNA, ficam vermelhos (menos fluorescentes).
Os espermatozóides passam, ainda, por um aparelho chamado Citômetro de Fluxo, que “conta“ as células de cada tipo (cor). As amostras com valores de fragmentação acima de 30% são consideradas anormais, ou seja, apresentam baixo potencial de fertilidade. Em cada teste, são analisados aproximadamente 5 mil espermatozóides, o que representa maior exatidão no resultado.
Com o avanço das técnicas de reprodução assistida e do diagnóstico genético dos embriões, pode-se observar uma maior qualidade embrionária e a seleção dos melhores embriões a serem transferidos ao útero da paciente. Do mesmo modo, a medicina sempre buscou um método que pudesse avaliar as características dos espermatozóides, em especial a sua qualidade genética.
Até então, a avaliação dos parâmetros seminais eram subjetivas (análise visual), métricas (volume, concentração, porcentagem de móveis, anormais, mortos etc.) ou bioquímicas com testes funcionais (inchaço, penetração em muco), que não possibilitavam uma identificação precisa dos espermatozóides.
Dr. Roger Abdelmassih, especialista em reprodução humana, explica que os homens que apresentam problemas de fragmentação de DNA nos espermatozóides devem evitar ambientes potencialmente danosos à saúde e receber tratamento à base de antioxidantes.
Segundo ele, entre os casais com dificuldades de ter um filho, 40% dos casos devem-se a problemas com o homem, mesmo percentual dos casos originados de problemas com a mulher. “Ou seja, dos estimados 7 milhões de casais brasileiros que não conseguem ter seu bebê após 18 meses de tentativas, 2,8 milhões têm o problema relacionado com o homem”, disse.
O especialista explica ainda que a infertilidade masculina geralmente está ligada a problemas hormonais (que comprometem a qualidade e a mobilidade dos espermatozóides) e à obstrução do canal que transporta essas células.
“Também podem afetar a fertilidade masculina fatores como estresse, consumo de cigarros e drogas, a varicocele (formação de varizes nos testículos, que dificultam a produção e oxigenação dos espermatozóides) e mesmo fatores ambientais, como a poluição”, esclarece Dr. Abdelmassih, lembrando que os espermatozóides também envelhecem a partir dos 50 anos. “Depois dos 45 anos, 16% dos espermatozóides são defeituosos, comparados aos 4% em homens de 20 anos”, completou.
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